terça-feira, 9 de abril de 2019

A discussão das narrativas

Série "Reflexões Pessoais", Nº 46


Na prática não é sobre discutir. É sobre a narrativa si, e narrativas são opiniões, mas lidam como se fossem fatos.

O infame Jean Wyllys vai embora do país e joga uma narrativa. Não apresenta nenhum fato. Mas como já existe uma pré-narrativa de que o Brasil é o país que mais mata homossexuais no mundo, com toda a certeza deve ser verdade que atacaram Wyllys por ser gay.

Outro exemplo? O caso dos estudantes de Covington, na Geórgia. Nos EUA viralizou um vídeo de um moleque branco sorrindo pra um nativo americano (indígena) batendo em uns tambores, e o moleque ficou sendo visto como hostil por estar parado e sorrindo na frente de uma "minoria oprimida pelos brancos".

Porém foi descoberto que nativo que foi confrontar o grupo de moleques. E aí chegou ao absurdo de alguém questionar o moleque se não teria sido melhor ele ter saído da frente do cara. O moleque ficou PARADO, e por ter sorrido...ele foi "desrespeitoso". E ficou óbvio que era porque o moleque era branco.

É a narrativa que só brancos são racistas, e negros, indígenas e etc não são! Sabe por quê? Porque qualquer hora que um negro fracassar, você pode colocar a culpa num grupo amorfo e homogêneo, além de abstrato, chamado "homem branco" que faz ele se sentir bem. Porque a esquerda tem uma relação muito complicado com o fracasso. A esquerda não pode assumir nenhum fracasso, porque aí ela vai precisar rever alguns argumentos basilares do seu jeito de pensar. E é aí que a esquerda tem medo. 

Ela não pode falar que Marx errou, mesmo com todas as previsões dele não tendo se concretizado. Ela não pode falar que o Lula errou, Castro, Chavez e etc. Eles nunca vão assumir esses erros e fracassos. Assumir fracasso é assumir que algo precisa mudar, e do momento que a esquerda começar a analisar o que tem que mudar, ela vai jogar fora todos os "grandes" que até semana passada eles usavam como exemplo do bom socialismo funcionando.

Aí que a direita se diferencia da esquerda, uma diferença fundamental. A direita erra e muito, mas ela assume esses erros! E pelo menos tenta corrigí-los. Quando/Se der algo de muito errado com o Bolsonaro/Trump, a direita vai chutar esses caras rapidinho. Já a esquerda, insiste até agora que era para o Haddad ter sido o presidente. Esse é o ponto fraco da direita frente a esquerda. A direita reconhece as suas falhas e passa tempo se reestruturando e etc. Já a esquerda diz que está tudo bem, que o importante é a democracia e etc. Até não ser mais a democracia o importante...mas sim o combate ao fascismo e etc. Impeachment contra a esquerda é golpe, mas ditadura de esquerda é democracia.

Pra concluir, o fato da esquerda não assumir fracasso, é o que a enfraquece, porque ela não se fortalece, fracasso quando reconhecido, no minimo te deixa com um bom exemplo do que não fazer em um cenário bem especifico. É por isso que geralmente os governos de esquerda caem sozinhos. A toda poderosa União Soviética, agora a Venezuela e por aí vai. O que me preocupa é que a esquerda vende a ideia muito tentadora de que você nunca vai fracassar, e isso permite grandes burradas históricas. E me preocupa que a direita pra eliminar de vez esse trunfo da esquerda, deveria ensinar que o fracasso é um aprendizado, e não um Estado de permanência eterna. Fracassou? Tente outra coisa até descobrir o seu ponto forte. Isso tem que ser mais forte e firme na direita.

A linguagem política, destina-se a fazer com que a mentira soe como verdade e o crime se torne respeitável, bem como a imprimir ao vento uma aparência de solidez



Nenhum comentário: