quinta-feira, 27 de março de 2025

Platão de volta à Caverna

"Poesias e Devaneios", Nº 143

Tudo muda, tudo passa, é constante,
Mas às vezes é preciso recuar,
Não por medo, não por ser hesitante,
Mas para melhor se preparar.

Lá fora, Platão, o que encontrou?
Além de dor, ruínas, pranto?
Fogo que arde e tudo queimou,
Deixando no peito um negro manto.

As luzes brilhavam, mas não eram o céu,
E sim as chamas do próprio inferno,
Queimando a pele, rasgando o véu,
Num ciclo cruel, frio e eterno.

Foi você quem se quebrou, quem caiu,
Não os outros, não o destino,
Se entregou à dor, ao desvario,
Agora é sombra no próprio caminho.

Volte à caverna, mas não para estagnar,
Ali se fortalece, ali se refaz,
Pois o fogo ensina, o fogo a forjar,
Espírito forte que ruge voraz.

Pequeno agora, mas logo gigante,
Como o ferro se torna aço no braseiro,
Mundo te espera, segue avante,
Com alma forjada em fogo guerreiro!

AGORA PEQUENO
DEPOIS, GRANDE!


SIC PARVIS MAGNA!

segunda-feira, 17 de março de 2025

O impacto da ausência

"Reflexões Pessoais", Nº 41

A ausência carrega um peso silencioso, um vazio que se instala onde antes havia presença. Não importa quanto tempo passe, há marcas que nunca se apagam, lacunas que nunca se preenchem. Quando alguém que um dia foi importante se ausenta, seja pela distância, pelo esquecimento ou pela fatalidade, a vida parece reorganizar-se em torno desse buraco, mas nunca de fato o preenche.

No início, sentimos a falta como um espinho fincado na pele, uma dor aguda e constante que nos lembra, a cada momento, do que se foi. Com o tempo, o espinho parece se tornar parte de nós, atenuando a dor aparente, mas permanecendo ali, silencioso, sempre pronto a se fazer sentir ao menor toque. Certos lugares, certas músicas, certos cheiros nos transportam para o passado e, por um instante, somos invadidos por aquilo que foi, pelo eco de risadas, por conversas que não mais existem.

Mas há uma ausência ainda mais profunda, mais devastadora: a de si mesmo.

Pouco a pouco, podemos nos perder, como quem caminha sem perceber que está deixando pedaços de si pelo caminho. Cada decepção, cada renúncia, cada silenciamento nos distancia um pouco mais daquilo que já fomos, até que, ao nos olharmos no espelho, mal reconhecemos quem nos encara de volta. A voz que um dia falava com convicção torna-se um sussurro hesitante, e os sonhos que ardiam no peito transformam-se em cinzas de desejos esquecidos.

Perder-se de si mesmo é um processo lento e silencioso, tão imperceptível quanto uma vela se apagando ao longo da noite. No início, são apenas pequenas concessões, pequenos esquecimentos de quem somos. Depois, são escolhas que não nos representam, caminhos que não reconhecemos. Até que, um dia, percebemos que nos tornamos um eco, uma sombra pálida daquilo que um dia fomos.

Talvez a maior luta seja essa: resgatar-se antes que seja tarde. Antes que a própria essência se dissolva na rotina, nos compromissos, nas cobranças. Antes que a ausência de si se torne definitiva. Pois, no fim, não há vazio maior do que olhar para dentro e não encontrar mais nada.

Então, um dia olhamos no espelho e não nos reconhecemos mais. O brilho no olhar se apagou, os sonhos perderam o sentido, os dias se tornaram uma sequência repetitiva de obrigações sem propósito. Não somos mais quem éramos. Restam apenas fragmentos espalhados, pedaços desconexos de uma identidade que se esfarelou ao longo dos anos. O que antes era um ser completo agora é um reflexo distorcido, uma sombra que vaga sem rumo, um eco fraco daquilo que um dia fomos.

Mas será que a ausência realmente existe? Se tudo o que somos, tudo o que vivemos, deixa marcas invisíveis no tempo, então nada jamais se perde por completo. O universo nasceu do vácuo, do aparente nada que, em sua essência, continha todas as possibilidades. O silêncio carrega ecos do que já foi dito, a escuridão guarda vestígios de cada luz que já brilhou, e até mesmo o vazio está repleto de memórias que continuam a reverberar. Assim, a ausência não é um fim, mas uma transição, uma metamorfose da presença em algo que persiste além da forma, além do toque, além do olhar.

Se o universo veio do vácuo e continua em expansão, então não há lacunas definitivas. Da mesma maneira, aquilo que pensamos ter perdido permanece em nós de formas sutis, seja nas lembranças que nos moldam, nas cicatrizes que nos definem, ou nos instantes em que, sem perceber, repetimos gestos, palavras e sentimentos daqueles que partiram. Não somos feitos de ausências, mas de transformações. E, talvez, a maior revelação seja essa: ninguém se perde para sempre, nada some por completo. O que fomos, o que amamos, o que nos tocou... tudo continua existindo, ainda que de uma maneira diferente.

 


"Não existe nada alem de si, pois isso que se tornou: NADA"



sexta-feira, 14 de março de 2025

O Outro "Eu"

"Reflexões Pessoais", Nº 40

O outro eu de cada um é a nossa alma, receptora PASSIVA  de tudo que nosso eu carnal e emocional faz ATIVAMENTE. Só os que CALAM este "eu" PODEM escutar o outro eu que é a alma.  E o mais impressionante. É o outro eu , ALMA, que é o eterno...esse eu aqui é só a chance para que cada um faça o melhor com o pior que lhe suceda. Não como age, mas como reage é o que define quem somos....cale-se e ouça um pouco seu outro eu...

E quando enfim silenciamos, percebemos que esse outro eu sempre esteve ali, observando, sentindo, esperando que a tormenta do externo cessasse para se manifestar. Ele não grita, não impõe, não exige. Apenas sussurra, esperando que a nossa inquietação se dissolva na escuta. Mas poucos ouvem. A maioria se perde no ruído do próprio ego, nas correntes das emoções que oscilam sem rumo, esquecendo-se de que há algo maior, mais profundo, que nunca se abala.

O outro eu não busca glória, não anseia por reconhecimento. Ele apenas quer que aprendamos. Cada dor, cada perda, cada desilusão não são castigos, mas lições. E é na forma como as acolhemos que moldamos nossa essência. Revoltar-se é fácil, mas transformar a ferida em sabedoria exige entrega. Quando aceitamos o pior sem nos tornarmos piores, damos voz ao nosso eu eterno. 

No silêncio, a alma nos revela verdades que o eu terreno teme encarar. Mostra que não somos vítimas, mas autores; que não somos condenados, mas responsáveis. Ensina que nada do que tentamos segurar nos pertence, exceto a forma como nos tornamos diante do que se esvai. Tudo se desfaz, menos a essência que cultivamos no invisível... no íntimo... bem lá no fundo, se escondendo de tudo e todos, e dos espinhos circundantes!

E assim seguimos, entre quedas e recomeços, entre erros e aprendizados, sempre tendo a chance de ouvir ou ignorar. Mas aqueles que ousam calar para escutar, descobrem que o outro "eu" nunca esteve distante. Ele sempre foi o que foi! Sempre esteve aqui...

Sempre estará!


Sempre seremos UM


segunda-feira, 10 de março de 2025

A Terceira Flor

"Poesias e Devaneios", Nº 142

Eram duas,
Mas não só duas,
Eram três,
Uma era nua.

Queria,
Haveria,
Queria haver ou
Haveria um dia?

Quer, ou não quer,
Mas deseja,
E não sabe
Se acende ou queima.

A terceira era,
Para o rio levar,
A terceira nem mesmo
Sabia afogar.

O tempo girava,
Mas nunca voltava,
E o que existia
Já se apagava.

Duas se foram,
Uma ficou,
Ou talvez nenhuma,
O rio levou.

Eram duas,
Mas não só duas,
Eram três,
Uma era nua.

O rio levou...




"Era pra ser mas não era pra existir"

terça-feira, 4 de março de 2025

Há um Peso das Preocupações do Passado, ou Sobre os Anos 2000

"Reflexões Pessoais", Nº 39

De relance olho para os anos 2000 e me pergunto: valeu a pena toda aquela preocupação? E quanta! Todas as noites em claro, os medos exagerados, as inseguranças que pareciam gigantescas? Hoje, com a distância do tempo, percebo que não. E de forma nenhuma! Foi uma perda de energia, de tempo, de momentos que poderiam ter sido vividos com mais leveza. O que parecia crucial na época se dissolveu como fumaça, e tudo o que restou foram as experiências, os aprendizados e, principalmente, a constatação de que muitas das nossas angústias são fabricadas por nós mesmos.

Essa percepção me serve de incentivo hoje, supostamente.. su-pos-ta-men-te! 

Me ensina a não carregar pesos desnecessários, a não me prender tanto ao que não posso controlar. O futuro, que antes era fonte de ansiedade, agora se apresenta como uma estrada aberta, cheia de possibilidades. Aprendi que, em vez de temer o que está por vir, é melhor construir algo sólido no presente, sem deixar que o medo do incerto roube a paz do agora.

Mas a verdade é que, por mais que eu tente me convencer de que a preocupação é inútil, sei que outras virão. A vida nunca se torna mais simples, apenas muda os desafios. O que me tirava o sono no passado pode parecer bobo agora, mas novas preocupações sempre tomam o lugar das antigas, como um ciclo interminável de angústia. Talvez essa seja a natureza da existência: um eterno correr atrás de certezas que nunca chegam.

E se no futuro eu olhar para este momento e perceber que, mais uma vez, desperdicei tempo com esperanças vãs? Talvez a única verdade seja que estamos todos presos a essa ilusão, tentando encontrar sentido em um jogo que nunca esteve sob nosso controle.

Talvez a grande ironia da vida seja justamente essa: a gente passa anos tentando aprender com os erros do passado, tentando evoluir, tentando se libertar dos medos. Mas, no fim, tudo se repete, apenas com novos rostos, novas situações, novos cenários. O sofrimento muda de forma, mas nunca desaparece. A esperança pode ser um combustível, mas também pode ser um fardo, um peso que nos empurra para frente apenas para nos fazer cair no mesmo vazio de sempre.

Então me pergunto: se tudo é passageiro, se as preocupações e esperanças de hoje vão parecer irrelevantes amanhã, qual o sentido de continuar tentando? Mil anos são como um dia? Nascemos como mortos e vivemos como se nunca tivéssemos nascido? Ou será que a única lição real da vida é que não há lição alguma, apenas o inevitável ciclo de nascer, temer, lutar e, por fim, desaparecer? Tudo tem um fim um dia, até nossa respiração!

Tudo tem um fim um dia...


"O futuro vai ser tão brilhante
que nem vamos precisar de olhos para ver"




sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

Maleficência Intrínseca

"Reflexões Pessoais", Nº 38


O ser humano, em sua essência, gosta de se ver como uma criatura movida por sentimentos nobres, por laços profundos, por valores imutáveis. Mas basta um olhar mais atento para perceber que, por trás dessa fachada, há uma engrenagem fria, movida pelo utilitarismo e pela conveniência. O respeito e a utilidade andam lado a lado — e quando um homem deixa de ser útil, ele se torna descartável, uma peça obsoleta em um jogo onde a sobrevivência depende de se manter relevante.

As relações humanas, muitas vezes mascaradas por discursos sobre amor e companheirismo, escondem uma lógica brutal: enquanto houver algo a oferecer, a presença é bem-vinda. Mas basta um momento de fraqueza, uma perda de status ou uma falha imperdoável, e aquilo que antes era valorizado se torna um peso morto. O vínculo que parecia inquebrável se dissolve no ar, como se nunca tivesse existido.

O Amor Ágape — aquele amor incondicional, que resiste ao tempo e às circunstâncias — é um ideal cada vez mais distante. No mundo real, o imediatismo reina. Tudo precisa ser intenso, rápido, descartável. Quem não acompanha esse ritmo frenético é deixado para trás, substituído sem hesitação.

A superficialidade se tornou a regra. Aparências importam mais do que essência, e a profundidade das conexões é sacrificada em nome de prazeres momentâneos. O resultado? Uma humanidade cada vez mais vazia, girando em torno de si mesma, incapaz de construir algo que dure além do próprio reflexo.

A ironia é que, ao descartar o outro, o ser humano também se condena. Quem faz do mundo um jogo de interesse se torna vítima das próprias regras. Um dia, todos são jovens e desejados; no outro, são apenas memórias esquecidas. Aqueles que usaram outros como degraus para subir encontram, no fim, apenas o vazio de uma escada sem destino.

O que resta para quem vive apenas de conveniências? O tempo, implacável, cobra seu preço. E quando a utilidade se esgota, quando os rostos novos substituem os antigos, quando não há mais nada para oferecer... o que sobra? Apenas a fria indiferença do mundo, refletindo de volta tudo aquilo que foi cultivado. 

Apenas um grande NADA! E todos nós nos afogaremos na mediocridade.


"O perigo e falsidade dos amores falsificados
existem na proporção direta de sua beleza e fascínio."





quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

NEOQEAV

"Poesias e Devaneios", Nº 141

Você, que o tempo levou,
Tua sombra ficou.
O teu nome, vento soprou,
e a saudade ficou!

Riso brando, muito distante,
um eco preso, paira no ar.
Teu olhar doce e errante,
que não canso de buscar.

Horas giram sem pressa,
Na torre que tudo vê.
O tempo sempre atravessa,
mas não leva o que é de fé.

Vento, lembranças,
como folhas pelo chão.
E nelas dançam esperanças,
de um passado em vão.

Se a vida apaga pegadas,
como areia beira-mar,
por que nas noites caladas
teu abraço vem me achar?

Se o tempo apaga traços,
do que fomos um dia,
por que ainda nos meus braços
teu abraço é poesia?

Mas saudade pesa!
feito a brisa, não se vai.
Teu perfume, um jeito perfeito,
de prender no que já não cai.

Mesmo que tempo insista,
a te levar para tão longe,
tua voz na lembrança persista,
feito um sonho que me esconde.

Se a vida apaga pegadas,
como areia beira-mar,
por que nas noites caladas
teu abraço vem me achar?

Me sobra pouco assim
Apenas lembranças vãs
Mas uma sigla enfim
NEOQEAV


 


"Nunca esqueça o quanto..."

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

Sem a Espera

"Poesias e Devaneios", Nº 140


Sem a espera
Não há decepção
Sem o pecado
Não há condenação

Sem a promessa,
Não há traição.
Sem chama acesa,
Não há escuridão.

O tempo que varre,
E apaga os rastros,
O ontem some
Em ventos tão vastos.

O eterno que falha,
O sonho que esfria,
Ainda há um brilho
Dentro da nostalgia.

No vão dos dias,
A vida ensina:
Nada é pra sempre,
Somente a rotina.

Mas se há recomeço,
Há nova estrada,
Mesmo que o "pra sempre"
Seja cilada.

Mas sem a espera
Não há decepção
E sem o pecado
Não há condenação!


O "pra sempre" é uma ilusão que se desfaz no tempo,
mas recomeços são inevitáveis.


terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Recomeços

"Poesias e Devaneios", Nº 139 


O "pra sempre" não é mais do que uma ideia que se desmancha,
um eco distante que atravessa noites silenciosas.
As promessas, tão cheias de certeza no momento,
acabam se dissolvendo no turbilhão da vida,
deixando apenas aquele vazio desconfortável.

O tempo, com sua sabedoria implacável,
não poupa ninguém: ele desfaz até o eterno.
Aquilo que parecia sólido, fervoroso,
vira sombra, um rastro pálido de um amor que já foi.

O "pra sempre" é como um oásis no deserto,
algo que a gente quer tocar, mas que desaparece na aproximação.
E mesmo assim, a gente se apega,
como se pudesse escapar das mãos impiedosas do tempo.

Mas no fim, resta apenas a lembrança,
um sussurro antigo perdido no vento.
E mesmo que doa, ainda insistimos,
pois há beleza no que é passageiro.

O "pra sempre" não morre, só adormece,
nas entrelinhas de cartas esquecidas.
E às vezes, em um suspiro distraído,
ele desperta, mesmo que por um instante.

E o vazio que sobra não é só dor.
É também espaço — espaço para o novo,
para renascer e reaprender a viver,
porque talvez o único "pra sempre" que existe
seja o ciclo constante de recomeços.




Porque talvez o único "para sempre" real
seja o eterno ciclo de recomeços.


sábado, 15 de fevereiro de 2025

Moirai

"Poesias e Devaneios", Nº 138


Um grito ecoou na caverna sombria,
o povo assustado não quis avançar.
O fazendeiro, com sua ousadia,
resolveu sozinho o mistério enfrentar.

Uma lâmina firme, a luz tremulante,
passos incertos na escuridão.
Viu um homem, olhar vacilante,
sangue tingindo sua própria mão.

O vulto fugiu sem qualquer resposta,
mas um novo grito logo chamou.
No chão de pedra, mulher exposta,
o sangue em seu corpo a vida roubou.

"Saia daqui!" gritou, agonizando,
antes que a morte a viesse buscar.
Seu sangue no homem foi respingando,
a lâmina rubra, sem nada cortar.

Correu para fora, buscar solução,
mas no caminho alguém o parou.
“Explique-se já!” veio a acusação,
e o medo seu peito apertou.

A lâmina fria cravou-se em seu peito,
a vida esvaiu-se sem nem compreender.
O destino, cruel, lhe armou um enredo,
onde inocentes não podem vencer.

O chão gelado acolheu seu fim,
No breu da gruta, silente e ruim.
Sem voz, sem culpa, sem direção,
Morreu na sombra e sem acusação.

"Nada mais via ou sentia, seu coração parou 
e tudo acabou ali."



quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

RMS

"Poesias e Devaneios", Nº 137

O oceano está frio, sem calor,
E eu fico aqui, sem muito a dizer,
O vento corta, sinto o rancor,
O frio cresce, difícil de entender.

Eu quero saber até onde vamos,
Reclamar e cobrar o que é nosso,
Daquela companhia, que nunca nos damos,
Por que aceitá-la, sendo um poço de desgosto?

O mar não mente, ele só avisa,
Que o tempo de espera está se esgotando,
E quem cala, quem finge que improvisa,
Está vendo o futuro desmoronando.

A maldita espera nos faz pensar,
Que o certo não é mais tão seguro,
Mas mesmo assim, continuamos a lutar,
No frio que nos envolve, ainda é puro.

O oceano, esse grande segredo,
Fala sem palavras, mas com força imensa,
E no fim, sabemos, é só o que ficou,
A luta pelo certo, por mais que o medo faça suspense.


"E no fim, sabemos, é só o que ficou,
A luta pelo certo, por mais que o medo faça suspense."

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

Ostrakon

"Poesias e Devaneios", Nº 136

Sonhei com as maravilhas da vida!
Guardadas nos corações aquecidos pelo amor,
Nos gestos silenciosos das almas sóbrias,
Que, um dia, conheciam o sabor da completude.

Busco as revelações que os sagrados murmúrios
Derramaram sobre os imprudentes em suas brasas frias,
Sob raios de sol que se dissipam como ecos,
Sobre lagoas de sangue negro e folhas de faia no outono.

Mas tudo se residirá no esquecimento!
O sofrimento eterno nasce na ignorância dos homens,
Que escavam em seus corações apenas para encontrar
A ilusão de uma riqueza em um mundo que sangra.

Esfolam seu dorso com facadas de prata,
Agradecendo com brutalidade a dor que lhes fere,
Enquanto tudo que possuem se desfaz como névoa,
E o tempo os lança ao vazio de sua própria sombra.

A beladona dança entre as piscadas honestas,
Sombras destilando pragas recém-nascidas,
O calor que devora é o ventre dos antigos sonhos,
Antes que a maldade moldasse seu rosto eterno.

Mas tudo se residirá no esquecimento!
O sol bate como tambores nos corações,
Um som surdo devorando a memória,
Um ruído que consome o próprio eco!

Me esqueçam! Me esqueçam! Me esqueçam!

Gravem meu nome em uma concha maldita,
E peço apenas o mais sublime presente:
O alívio sereno do esquecimento absoluto.
Pra quem merece, pra quem merecerá!

E assim proclamo: tudo será esquecido!
E em um grito que rompe o silêncio,
Rogo mais uma vez:
Me esqueçam! Me esqueçam! Me esqueçam!

E pra que, a ultima vez, não fui claro o suficiente:

Me esqueçam! Me esqueçam! Me esqueçam!



"Gravem meu nome em uma concha maldita!"






sábado, 4 de janeiro de 2025

Siga sua vida, vá pra casa!

"Poesias e Devaneios", Nº 135

Vá, vá em frente, siga sua missão,
Aos poucos, todos mostram quem são.
Seja firme, não se deixe enganar,
Os falsos sempre acabam por se revelar.

Deixe a luz em seu peito brilhar,
Seja você, não tente mudar.
A liberdade é sua, abrace com fervor,
E use Deus como seu condutor.

Caminhe ao Ilê, seu destino buscar,
Não deixe ninguém sua mente dobrar.
Faça do seu coração seu verdadeiro lar,
E da sua força, um farol a iluminar.

Não se prenda às correntes da ilusão,
Seja o dono único do seu coração.
A verdade em você é a maior vitória,
Escreva com coragem a sua história.

Então vá, sem medo, com fé no olhar,
A estrada é sua, não deixe de andar.
Seja você, no caminho ou na solidão,
Deus te guiará, és tua própria razão.

Vá, vá em frente, siga sua missão,
Aos poucos, todos mostram quem são.
Seja firme, não se deixe enganar,
Os falsos sempre acabam por se revelar!



Ogum onilê...Onilê Ogum
A boa do Ilê...Onilê Ogum




terça-feira, 31 de dezembro de 2024

Dois Mil e Vinte e Quatro

"Poesias e Devaneios", Nº 134

Vá, e não ouse retornar,
Não traga mais sombras para este lugar!
Deixaste marcas na pele e no coração,
Marcas ruins, de dor e de retidão.

Não há pena, mas também não há rancor,
Esta volta ao redor do sol foi só dissabor.
Lições ficaram, mas a que custo?
Te quero distante, teu peso é injusto.

No tempo e no espaço, desejo-te perdido,
Que teu eco se apague, teu rastro esquecido.
Te digo adeus sem olhar para trás,
Carrego esperança, e nada mais.

O sol renasce, traz nova estação,
Leva contigo a mágoa, deixa o perdão.
Te deixo nas páginas que não vou reler,
Adeus, passado, é hora de renascer.

Adeus, enfim, teu ciclo findou,
Dois mil e vinte e quatro, teu tempo passou.
Recebo o futuro com alma aberta,
Pois cada adeus é uma porta certa!

Vá, e não ouse retornar!



O sol renasce, traz nova estação,
Leva contigo a mágoa, deixa o perdão.


sábado, 28 de dezembro de 2024

O Conto do Auto-consolo

"Reflexões Pessoais", Nº 37

Estamos rodeados por indivíduos que frequentemente recorrem a justificativas e consolos para lidar com os próprios insucessos, utilizando frases motivacionais que, em sua essência, reconhecem como ilusórias. Essa prática se intensifica ao confrontarem pessoas em situações mais favoráveis, pois criar uma ilusão reconfortante muitas vezes parece mais simples do que enfrentar as adversidades e empenhar-se em superá-las.

Um exemplo recorrente é a afirmação de que "pessoas ricas são infelizes", talvez utilizada como um mecanismo para minimizar as dificuldades de uma vida com menos recursos. Tal pensamento, frequentemente sustentado por casos isolados, como o de um indivíduo abastado que enfrenta problemas de saúde, desconsidera que, de maneira geral, pessoas com maior poder aquisitivo tendem a desfrutar de melhor qualidade de vida e relacionamentos mais estáveis. Enquanto isso, na pobreza, desafios relacionados à escassez, doenças e problemas familiares são proporcionalmente mais presentes e impactantes.

Outro subterfúgio comum é a ideia de que "tudo é perigoso", utilizada para justificar comportamentos imprudentes. Essa noção muitas vezes equipara situações de risco real, como conduzir uma motocicleta sem capacete, a atividades estatisticamente mais seguras, como viajar de avião. Frases como "era a hora dele" servem para eximir responsabilidades, transferindo a culpa ao destino e ignorando o papel ativo que nossas escolhas desempenham.

Também é frequente a utilização de exemplos de pessoas saudáveis que tiveram mortes súbitas como argumento para reforçar a ideia de que "pessoas saudáveis também morrem". Embora a mortalidade seja inevitável, esse raciocínio é frequentemente empregado como uma forma de justificar hábitos prejudiciais. Histórias como a do "avô fumante que viveu até os 100 anos" são repetidas como exceções transformadas em regra, ignorando as evidências claras de que hábitos saudáveis não apenas prolongam a vida, mas garantem maior bem-estar.

O ser humano, por vezes, encontra consolo em narrativas que suavizam a responsabilidade por suas escolhas. Frases como "temos que aproveitar, não sabemos o dia de amanhã" são utilizadas como justificativa para ações imediatistas. Contudo, a realidade é que, na maioria das vezes, o amanhã chega — trazendo consigo as consequências das decisões negligentes, seja na forma de uma ressaca emocional, física ou financeira, que reflete o impacto de uma visão simplista sobre a vida.



Não aja como se você tivesse dez mil anos para jogar fora. A morte está ao seu lado. 


quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

Não existe o "Pra sempre"

"Poesias e Devaneios", Nº 133

Não existe o "pra sempre" além do próprio vazio,
Um eco que se perde em noites de solidão.
Promessas dissolvidas no breu do desvario,
Deixando só silêncio em meio à escuridão.

O Tempo, velho sábio, devora o que é eterno,
Transforma em pó as juras feitas com fervor.
Coração que outrora era, quente e também terno,
Agora só reside a sombra e o rancor.

O pra sempre é miragem, é um sonho fugaz,
Que a vida, com suas dores, insiste em desfazer.
A eternidade, por si só é, um momento audaz,
De acreditar que algo pode nunca morrer.

No vazio que sobra, há um novo alvorecer,
Uma ideia que se desmancha, mas outra vai florescer
E o que finda não morre, vai apenas renascer,
Pois o pra sempre, no fim de tudo, é viver e aprender

Não existe o "pra sempre" além do próprio vazio,
Um eco que se perde em noites de solidão.
Promessas dissolvidas no breu do desvario,
Deixando só silêncio em meio à escuridão.




"Agora está tão longe, vê
A linha do horizonte me distrai"


segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

O Cheiro Dela

"Poesias e Devaneios", Nº 132

O cheiro era bom, desses que ficam na alma,
Um aroma que abraça, que nunca se esquece.
Talvez fosse dela, ou só da calma
Que vinha dos seus braços onde o mundo adormece.

Era cheiro de saudade, com intenção de ficar,
Um perfume que a memória insiste em guardar.
Cheiro de mulher, desejo a pairar,
Algo que, em mim, parecia se encaixar.

A gente se abraçava mais do que o costume,
Num tempo que parava, só pra nos caber.
E o beijo tardava, mas não foi amargume,
Era sonho palpável, quase a acontecer.

Hoje ilusão, mas tão bem desenhada,
Pelo sistema límbico, guardião de enganos.
Baseada no real, assim foi moldada,
Reflexo perfeito, de outros tantos planos.

Só que o cheiro ficou, e nunca vai partir,
Uma lembrança tão forte, que toca e me aquece.
Se era dela ou de sonhos, pouco importa definir,
Pois ainda é o melhor que em mim permanece. 


_“Eu vou dizer o que você quer ou vou dizer o
que não quer ouvir, e é isso que você quer saber?
Você quer saber a verdade?"


sexta-feira, 29 de novembro de 2024

Soneto da Decepção

"Poesias e Devaneios", Nº 131

Entre papéis desgastados, despejo minhas angústias,
porque o papel é o receptáculo das dores e aceita tudo.
Fizeste o que consideraste justo,
e na tua alma, encontraste um alívio que te bastasse.
Aquele amor que eu dizia ser tão imenso
não era uma invenção, mas um pulsar constante.
Vivia em mim com a força de um sonho,
presente em cada noite, em cada silêncio.
Mas agora, pergunto-me com insistência:
quem realmente habitava esses sonhos?
Tu deixaste de existir naquele instante exato,
quando teus olhos se cruzaram!
Com outra presença ao meu lado.
A mulher que eu conhecia evaporou-se no ar,
desfez-se como névoa ao toque da realidade.
O que restou foi negação, incessante e firme,
e a certeza de que nunca voltaríamos a ser os mesmos.
Na dor desse reconhecimento, algo novo nasce,
uma nova identidade moldada por cicatrizes.
Compreendi, afinal, que amava apenas uma sombra,
mas nessa sombra, descobri a essência do perdão.
Agradeço-te e a Deus por não me ter dado outra chance,
pois amaríamos fantasmas, tu e eu,
presos em uma memória de algo que já não existe!


Com outra presença ao meu lado.
A mulher que eu conhecia evaporou-se no ar,
desfez-se como névoa ao toque da realidade.



  

quarta-feira, 27 de novembro de 2024

Carta: "Há muito de você em mim, mais do que você jamais saberá"

"Cartas Perdidas", Nº 43


Anápolis/GO, 02 de dezembro de 2005

Minha Querida,

Ainda que esta carta jamais chegue até você, sinto a necessidade de escrever. Talvez por um impulso egoísta de organizar os pensamentos ou pelo desejo latente de que, mesmo sem lê-la, você possa, de alguma forma inexplicável, sentir estas palavras. Vivemos tempos estranhos, onde o destino é incerto, e as distâncias parecem insuperáveis, mesmo quando não são físicas.

Eu cometi erros. Sei que não há justificativas suficientes para as minhas atitudes, e talvez nem precise entrar nos detalhes do que motivou minhas ações. No entanto, seria justo que eu tentasse explicar, mesmo que apenas para aliviar a minha própria consciência. Havia inseguranças em mim, tantas delas, e essas sombras invadiram o que deveria ser luz entre nós. Mas isso me levaria a um território muito íntimo, e não sei se estou pronto para desnudar completamente a alma.

O tempo passou – quanto, já não sei ao certo. Mas sinto sua presença dentro de mim. Não como um pensamento obsessivo ou insistente, mas como uma brisa que vem sem aviso, uma lembrança que brota de forma inesperada. E, confesso, ainda sonho com você. Sim, em meio a tantas noites, há sonhos em que o mundo parece tão mais simples porque você está lá.

Não escrevo com o intuito de pedir algo. Não quero reivindicar nada, nem mesmo sua atenção. Quero apenas que saiba – ainda que jamais leia estas palavras – que você marcou meu ser de uma maneira que nem eu consigo explicar.

Sim, eu quero você. Sim, sinto sua falta. Uma ausência que ecoa em lugares profundos, onde as palavras não alcançam. E, no entanto, sou forçado a aceitar que esses sentimentos vivem isolados, privados de qualquer som que possa chegar aos seus ouvidos.

Há muito de você em mim, mais do que você jamais saberá. Mas a verdade é esta: você não saberá. Jamais. Talvez porque essa seja a única maneira de proteger o que ainda resta de mim.

Com todas as palavras que não ouso dizer,


Eu, e tão somente....

"Há muito de você em mim,
mais do que você jamais saberá"





domingo, 24 de novembro de 2024

Interlúdio da Floresta

"Poesias e Devaneios", Nº 130

No véu da névoa, o silêncio ecoa,
A floresta murmura, melodia tão boa.
Cipós tremulam, ritmo do vento,
Segredos antigos, guardam o momento.

Folhas dançam, balé natural,
Luzes filtradas criam um portal.
Trilha sonora, suave e envolvente,
Toca o coração, quem estará presente?

Cada passo, um salto de fé,
Entre inimigos que a sombra revé.
Na calma da música, és um abrigo,
Lembrete sutil: você tem consigo.

Harmonia! Verde e som,
Aventura dura, mas leva ao tom.
De que na jornada, o belo é essência,
Haverá desafio, nova uma experiência.

Oh, doce Interlúdio, encanto sem fim!
Entre brisa cipós, o mistério em mim.
Tu és mais que isso, emoção pura,
Um pedaço da alma, eterna...segura!




Sob o véu da floresta, a brisa se desfaz

sábado, 9 de novembro de 2024

Sobrou uma foto

"Poesias e Devaneios", Nº 129

Sobrou uma foto! Foi sob um sol quente que posamos para uma foto, que era uma pequena capela em uma cidade que estávamos visitando, interior de SP, em uma festa de aniversário.

Sendo assim enfim posamos, e a foto ficou perfeita, um olhando para o outro, em mais uma tarde mais que perfeita.

Mas olha só, tudo perfeito, e era lindo, como ríamos aos sons de risadas alheias, e conversas, e foi seguindo mais uma tarde maravilhosa.

Minhas tensões era coisas banais de assuntos banais, pois eu vivia efemeridades e em uma certeza de falta de dúvida, era eu e você, e sempre contra o mundo...

...contava com isso, e jamais duvidaria, na altura daquela vivência... não duvidaria

Mas não vivemos de futurações e conjecturas e nem pensando em como a gente acha que vai ser tudo...

Hoje só sobra uma sombra e um rancor, que me fez acreditar que existia alguma sobra ou resquício de sentimento, mas na pratica nunca houve e nunca haveria de haver nada de sentimentos da sua parte, pois você nunca foi mais do que uma casca vazia de um grande nada.

Era só uma sombra e uma ilusão, onde depositei o ouro que não tinha, e foi-se todo ouro inexistente, fiquei devendo até o talo em tudo no sentido não monetário.

Eu estou devendo à mim mesmo pela perda da dignidade de me entregar à um ser que nada valeu depois da quinta ordem de grandeza de um nada, mas eu entendo que nada poderia corresponder à alguma coisa, então entendo que você tem um potencial enorme, pois isso ficará marcado como uma mácula.

Mas essa mácula sempre será merecida, pois quem confia é o responsável e fiador por todo advento que vier, e eu fui, então tudo que aconteceu foi responsabilidade prima minha, e você é apenas um subproduto de tudo que eu deixei entrar na minha vida!

Você é tão somente a consequência das minhas escolhas erradas, mas não só a única, só que me lembra e faz lembra-te como um fantasma de erradas escolhas indeléveis, e será sempre assim, um ser que nunca sairá da minha mente, apesar de ela ir "apagando as beiradas", o núcleo ficará, que que é você: um fruto muito ruim e amargo de uma escolha muito errada!

Foi sob um sol quente que posamos para uma foto, que era uma pequena capela em uma cidade que estávamos visitando, em uma festa de aniversário, mas sobrou uma foto!


Sobrou uma foto, e aqui está antes que
jogue-a fora.

terça-feira, 5 de novembro de 2024

Saudade Profana

"Poesias e Devaneios", Nº 128

Sinto saudade de 1993… um ano que, ao olhar de longe, parece ter sido feito de momentos perfeitos. Pelo menos a primeira metade, aquela que carrego com um carinho quase nostálgico, como se fosse uma fotografia amarelada pelo tempo. Tudo era bom, tudo tinha um brilho suave e confortante. Foi uma época em que as coisas simplesmente pareciam fluir, as oportunidades estavam ali, espalhadas pelo caminho, esperando para serem colhidas! E eram muitas! Caíam aos montes pelo chão com um estrondoso barulho, igual jaca madura caindo do pé! Era uma época onde eu me sentia imortal, invencível, quase um super-herói da Marvel!

E eu as deixei passar. Cada uma delas. Oportunidades que surgiram, tão claras, tão óbvias, e que eu, por alguma razão, não soube aproveitar. Desperdicei cada chance como se o tempo fosse infinito, como se o ano não tivesse um fim. E agora, aqui estou, sentindo o peso da saudade de algo que eu poderia ter vivido de forma mais plena, mais presente. Mas na época, não percebi. O que parecia eterno agora se dissolve em lembranças! Me tornei profissional e desperdiçar as melhores oportunidades que a vida me deu! O deus ex machina que me salvou, duas, três ou quatro vezes! Ele sempre estava apto mecanicamente para me salvar, assim como a antiga e original metáfora grega!

Mas, ainda assim, a saudade é forte. Sinto falta daquela leveza, saudade de tudo que foi perdido, enterrado... com ou sem razão! Saudade daquela sensação de que o mundo estava à disposição. Mesmo com os erros, mesmo com as escolhas que não fiz, 1993 me abraça em pensamentos com uma doçura melancólica. Foi tudo tão bom… E a parte mais difícil de aceitar é que, mesmo sabendo que deixei escapar tanta coisa, ainda carrego essa saudade. Uma saudade boa, como se a memória pudesse apagar os tropeços e deixar só os momentos em que tudo parecia perfeito. 

Agora é visar basicamente 1995, e depois de um 1994 quase findado e confuso, cheio de altos e baixos, parece que as coisas finalmente podem finalmente tomar forma. Não posso negar que o esse mesmo 1994 em quase sua totalidade foi basicamente frustrante, cheio de promessas não cumpridas e decepções que me fizeram questionar muito do que esperava. Era como se 1994 tivesse o potencial de ser um grande ano, mas faltou algo — talvez foco, talvez sorte. Eu queria mais, mas tudo parecia se arrastar, sem o brilho que esperava. O que faltou na verdade é a boa e velha VERGONHA NA CARA.

Agora, olhando para 1995, sinto um otimismo cauteloso. Aprendi com 1994 a não criar expectativas irreais, mas também a não me deixar abater pelos contratempos. Vejo que o em breve novo ano tem suas oportunidades, mas estou mais consciente, mais realista. Sei que não basta o ano ser bom por si só, eu preciso estar pronto para agarrar o que vier, mesmo que de forma imperfeita. Se 1993 foi o ano que eu desperdicei e 1994 o ano em que me perdi, 1995 é a chance de encontrar equilíbrio. Não será perfeito, mas talvez, dessa vez, seja o suficiente.



"Não será perfeito, mas talvez, dessa vez, seja o suficiente."








sábado, 26 de outubro de 2024

Sobre o Tempo e suas mentiras, ou sobre Ação e Consequência

"Poesias e Devaneios", Nº 127


Assim, te proponho, simples raciocínio, que te faça buscar outras formas de enxergar!

Nos teus olhos, tão lindos e belos, assim como és bela sua humildade, que é o que te mais falta.

Muito se propôs para entender a dor, e todas Sombra que nos circunda.

E supliquemos que cada um seja o que é, mas sobretudo não lhes falte a verdade.

Que seja sempre ministro de palavra e sindicante de boa-fé

Tal qual o topo, onde muito se observa os gigantes, e muito se inveja os fortes.

Me prosto em um vazio, que não se preenche de tanta coisa além de letras.

E ainda que digas sobre resiliência, algo sobre estoicismo ou frases soltas de Nietzsche

Eu lhe redarguo com mais franqueza, sendo fático e um tanto austero:

Que a vida não faz sentido! E o Tempo aqui nada pode curar!

Tal como bem disse, um dia disse o grande Shakespeare.:

"Sobre tua beleza então questiono, que há de sofrer do Tempo a dura prova"

E sobre minha aura eu mantenho, que há sim de ser o açoite de minhas escolhas.

De forma que não há culpados incorpóreos, que possam ser apontados.

Não há dedos para serem apontados, além de minha infinita arrogância.

Que hoje me é servida assada, em um delicioso banquete de consequências.

E não há de se dizer, em culpar Deus ou praguejar contra o Destino.

Pois a flecha do Tempo é ríspida e sagaz!

E nada de falar da cura, ou que realmente o "Tempo Cura"

Pois muitas ruínas hoje jazem assim, na falsa crença da cura indelével e polivalente do Tempo!

E que Ele por si só é carrasco da vida e algoz do viço.

Sem, contudo, jamais sentir, de si mesmo, pena!

Pois jamais vi algo selvagem sentir pena de si mesmo!

Um pássaro viverá uma vida plena, e cairá morto de um galho um dia!

E sem jamais um segundo sequer ter sentido pena de si mesmo!


"...Quando a hora dobra em triste e tardo toque
E em noite horrenda vejo escoar-se o dia..."


sábado, 19 de outubro de 2024

Bem vindo ao Deserto do Mundo Real!

"Reflexões Pessoais", Nº 36

Não se edifica um castelo sobre um solo arenoso. Uma verdade tão antiga quanto a própria humanidade. Muitas vezes, na pressa de alcançar a felicidade, nos iludimos com o que parece ser solidez, mas não passa de areia fina que cede ao primeiro vento. A sensação de euforia, aquela alegria que sentimos em certos momentos, por mais intensa que seja, pode ser construída sobre percepções distorcidas do que nos cerca. O brilho dos dias bons, quando iluminado por expectativas irrealistas, pode mascarar o fato de que estamos depositando nossas esperanças em bases frágeis.

Toda aquela felicidade, por mais radiante que fosse, era ilusória. Uma falsa percepção do meio circundante. Acreditamos estar vivendo um momento sólido e seguro, mas, na verdade, estávamos sobre o precipício da desilusão. Não era a vida nos pregando uma peça, nem uma "maré de azar" nos atingindo, mas a dura realidade do mundo, o Deserto do Mundo real, onde as condições são implacáveis e as recompensas só vêm para aqueles que constroem suas vidas com paciência e sobre fundamentos firmes.

Agora, reclamar de Deus, amaldiçoar o Universo ou praguejar contra o Destino não adianta. Essas respostas são apenas tentativas vãs de desviar a responsabilidade de onde realmente deve estar: em nós mesmos. O mundo não se ajusta aos nossos desejos e vontades, e é no enfrentamento desse deserto que aprendemos que a vida não é uma sucessão de golpes de sorte ou azar, mas uma teia complexa de escolhas, renúncias e esforços.

O verdadeiro aprendizado vem quando aceitamos que a vida não é perfeita, que o solo é árido muitas vezes, e que construir algo duradouro exige consciência e trabalho. As tempestades, sejam emocionais ou externas, vão passar. E, quando passam, nos deixam a oportunidade de recomeçar – não sobre areia, mas sobre rocha firme.

No entanto, mesmo com todo o esforço para construir sobre bases sólidas, a verdade amarga é que o Deserto do Mundo real não se curva a nossos ideais ou sonhos. Não importa o quanto tentemos ser cuidadosos, o quanto planejemos com precisão, há forças maiores que agem fora de nosso controle, corroendo lentamente até os alicerces mais firmes. A areia se infiltra, as rachaduras aparecem, e por mais que lutemos, às vezes é simplesmente impossível manter tudo de pé. O castelo desmorona, não por falta de tentativa, mas porque o mundo, em sua essência, é imprevisível e implacável.

É difícil aceitar que, apesar de todo o empenho, felicidade duradoura é uma promessa distante, um ideal inalcançável para muitos. O que resta, após tantas quedas, não é um novo começo otimista, mas a aceitação de que o solo em que vivemos raramente é firme o suficiente para sustentar nossos maiores desejos. E talvez a verdadeira lição não seja sobre construir melhor ou mais forte, mas sim sobre reconhecer que, em certos momentos, tudo o que podemos fazer é observar em silêncio enquanto as paredes que ergueremos com tanto esforço caem diante de nós.


"A solução está em não desejar nada, não exigir nada, não esperara nada!"

sábado, 12 de outubro de 2024

Becos Escuros

"Poesias e Devaneios", Nº 126

As ruas gritam nas calçadas, 
Vozes mudas, mas sombrias, 
E os ouvidos, já cansados, 
Não desejam suas agonias.  

No silêncio que consome, 
O  vento leva segredos, 
E nas esquinas do passado, 
Mora o eco dos nossos medos.  

Asfalto guarda histórias, 
De passos que já se foram,
Mas no corredor das noites,
As sombras ainda imploram.  

Dúvida se faz viva,
Escuros becos da mente,
Enquanto o medo se agita,
Esquinas do inconsciente. 

No meio dessa estrada,
Onde o tempo já se esqueceu,
Cidade fala em códigos,
Que o coração não leu.  



"E nas esquinas do passado, 
Mora o eco dos nossos medos."  



sexta-feira, 4 de outubro de 2024

Pessimismo Realista

"Reflexões Pessoais", Nº 35

Quando tudo se torna previsível, você deixa de se surpreender com o mundo ao redor. A vida, que antes parecia cheia de possibilidades e surpresas, vai perdendo sua cor, se transformando em um ciclo repetitivo e mecânico. As pessoas, as situações, as reações — tudo começa a seguir um padrão tão óbvio que qualquer ilusão de novidade ou emoção se dissolve.

No início, talvez você tente lutar contra isso. Espera que algo mude, que um evento inesperado rompa essa linha reta que se estende à sua frente. Mas, com o tempo, percebe que essa espera é inútil. As pessoas continuam sendo previsíveis em seus interesses mesquinhos, as instituições falham da mesma forma, os relacionamentos são cada vez mais rasos e vazios, e os dias seguem a rotina opressiva. Você não espera mais pelo inusitado, pelo improvável, porque aprendeu que a vida não é um filme com reviravoltas dramáticas. A realidade é outra, pois NÃO há "deus ex machina"!

Esse senso de previsibilidade não é uma escolha. Ele vem com o tempo, com a experiência. É uma constatação amarga, mas inevitável, de que as coisas não vão mudar tanto quanto você imaginava. E quando se dá conta disso, a frustração inicial dá lugar a um cansaço. Não é cansaço físico, mas mental, emocional. Um esgotamento que vem da falta de expectativa. Afinal, como manter o entusiasmo se o fim da história já está escrito, ainda que você não conheça todos os detalhes?

O pessimismo surge não como uma visão derrotista, mas como uma forma de proteção. De que adianta esperar por algo diferente se tudo sempre segue o mesmo curso? 

Se trata de entender que as emoções, as surpresas e o brilho do inesperado se tornaram raros. O ser humano, com seus defeitos e limitações, prova continuamente que o ciclo da previsibilidade sempre vence. E, assim, você se acostuma a não se surpreender mais!

O que resta, então? Apenas aceitar. Viver cada dia sabendo que, no fundo, tudo segue um roteiro previsível. As surpresas são exceções, não regras. Quando você entende isso, para de se frustrar com a mesmice. Afinal, talvez a verdadeira surpresa preceda ausência de qualquer mudança significativa.



"Acostuma-te à lama que te espera!"

quinta-feira, 26 de setembro de 2024

Ode ao Tempo

"Poesias e Devaneios", Nº 125

Era uma vez o Tempo, 
Que passava lento, sem lamento. 
Eu não via o movimento, 
Deixei escapar o momento.  

Tentei, foi pouco, eu sei,
Tentou mais, tentou, observei.
O tempo não vê, o tempo correr,
E quando se vê, já foi, sem poder.  

Perdi tanto, sem perceber,
Querendo agora refazer.
Não adianta tentar mais,
Tempo não volta, nem por sinais. 

Querer nulo, só que é tarde,
E o que foi, não se retarde.
Tentar voltar, e não querer,
Nada adianta, só o viver.

Só agora, resta a lição,
De não perder, o tempo em vão.
Porque o tempo, o que já foi,
É passado, que já se foi.

Era uma vez o Tempo, 
Que passava lento, sem lamento. 
Eu não via o movimento, 
Deixei escapar o momento.  


"Sobre tua beleza então questiono
Que há de sofrer do Tempo a dura prova,
Pois as graças do mundo em abandono
Morrem ao ver nascendo a graça nova."



quarta-feira, 25 de setembro de 2024

Madrugada no meu olhar

"Poesias e Devaneios", Nº 124

Madrugada no meu olhar,
A chuva insiste em derramar.
O vento bate no portão,
Frio invade o coração.

Fecho os olhos, vou dormir,
Com você começo a mentir,
Dez minutos sem ter,
Parece um ano sem você.

Meu corpo pede o teu calor,
Quer ficar junto, dar amor.
Como a lua e o sol no céu,
Sob o lençol, num doce véu.

Desejos explodem em mim,
Seu beijo ainda está assim,
Queimando como um vulcão,
Roubando a paz do coração.

Não dá mais pra suportar,
Essa saudade a me matar.
Leve embora a dor enfim,
Eu continuo a te amar assim. 

Madrugada no meu olhar,
A chuva insiste em derramar.
O vento bate no portão,

Frio invade o coração.



Não dá mais pra ficar assim
Desejos explodindo em mim
Na boca o gosto do seu beijo
Ainda está me queimando


terça-feira, 17 de setembro de 2024

O Ovo da Serpente

"Poesias e Devaneios", Nº 123

Sucedeu, não esperava
Tantos meses, imaginava?
O ovo da serpente, enfim eclodiu
E algo aqui, pra sempre partiu.

Jamais de você, isso esperei
Tantas promessas, jamais encontrei
Nunca sabemos, o destino trair
Cair na armadilha sem resistir.

Veneno foi rápido, logo agiu
O ovo da serpente, silencioso, eclodiu
Dentro da alma, deixou cicatriz
Que fomos um dia, já não condiz

No olhar, escondido, mentiras, eu sei
Caí efusivo, ébrio fiquei
Agora silêncio, tudo restou
Que um dia pensei, pouco durou

Sucedeu, não esperava
Tantos meses, imaginava?
O ovo da serpente, enfim eclodiu
E algo aqui, pra sempre partiu.




O ovo da serpente eclodiu, revelando mentiras 
profundas e inesperadas.

segunda-feira, 16 de setembro de 2024

Sempre, e Sempre Nunca

"Poesias e Devaneios", Nº 122

Escritas na parede estão 
Não posso mudá-las, desmanchar
Mas estarei ao seu lado então
Quando a chuva, desabar

Quando a tempestade te cercar
Vou te manter sempre seguro
Não deixe sua fé se apagar
Estarei aqui, duradouro e puro.

Fé, que eu vou ficar
Sempre estarei por perto
Saiba que eu vim pra mudar
Nunca deixarei seu deserto.

Encarar o mundo lá fora
Sair da sombra, sentir o calor
Onde quer que  agora mora
Te encontrar e ser teu amor.

Iluminar seu caminho, enfim
Qual for o peso que te faz cair
Nunca desistir, de você assim
Então, sua fé, não partir.

Nos meus olhos, veja a verdade
Profundezas do ser, querer 
Sei que falhei, fui tempestade
Mas jamais vou te deixar esquecer. 

Escritas na parede estão 
Não posso mudá-las, desmanchar
Mas estarei ao seu lado então
Quando a chuva, desabar


"Escritas na parede estão 
Não posso mudá-las, desmanchar"